Começou o julgamento de António Cunha, acusado de assassinar, a tiro de caçadeira de canos serrados, Maximiliano Clemente na mesa de voto de Ermelo, nas últimas eleições autárquicas em Outubro.
O julgamento teve início com o arguido a confessar-se culpado mas a recusar a intenção de matar Maximiliano.
O nosso blog contactou António Cunha, que nos concedeu a seguinte entrevista.
Força na Maionese (FNM): - Sr. Cunha, o senhor confessou-se culpado de homicídio, mas alega que não teve intenção de matar Maximiliano Clemente, apesar de lhe ter cravejado a cabeça de chumbo. Como explica esta declaração?
António Cunha (AC):- É verdade, óh chefe! Eu nunca quis fulminar o Maximiliano, eu quando disparei era só para as pernas dele, ele é que foi teimoso... baixou o totisso! Mas ele era assim mesmo, fazia tudo para me chatear! Isto foi mesmo só para me lixar o dia, é que se ele tem ficado quieto, tinha ido para casa só com uns chumbos nos chispes e pronto... lá ia cada um à sua vida... mas não, ele, com a ruindade, foi se baixar mesmo de propósito para levar com o chumbo no meio dos olhos! É que isto era até uma brincadeira entre nós... eu dava-lhe um tiro nas pernas de dia, ele alvejava-me o automóvel à noite... e assim se passava um dia agradável! Mas é que eu não tive mesmo intenção... não foi nada “prenoitado” como disse o shotôr Juiz, aliás, eu nem sabia que ele estava nas mesas de voto quando lá fui!
FNM- “premeditado”... “premeditado”...
AC- Pois, isso...
FNM- Mas senhor Cunha, se não foi um assassinato premeditado e não sabia que o falecido senhor Maximiliano estava no local, porque é que se dirigiu às mesas de voto com uma caçadeira de canos serrados na mão?
AC- Ora essa... para votar, obviamente!
FNM- Não estou a perceber... então mas para que é que precisa da caçadeira para votar?
AC- Porque nunca têm canetas lá na mesa... para marcar o voto e coiso.. e como também não sei ler nem escrever, a minha assinatura em vez de um “X” é uma cartuchada, à Homem! Está a ver, eu bem lhe disse que não foi nada “preturiano” como disse o shotôr Juiz!
FNM- “Premeditado”...
AC- Ou isso!
FNM- ... Então e como reage às declarações da população local que o acusam de ser violento e de manter toda a freguesia em clima de terror?
AC- Isso são calúnias, pá! Quem é que disse isso, ãh? Quem foi que eu dou já cabo dele! É que o estirrinco todo, pá! Não me queiram ver virado do avesso! São uns aldrabões esses f*#ho$ da p#*a! Só porque, de vez em quando, mando uns tiros à malta ou dou uma machadada a este e ao outro vêm logo com estas coisas, pá! É de um homem perder a cabeça!
FNM- Pois... Mas então a sua defesa passa só por tentar provar que o homicídio foi acidental e não premeditado? E como explica a caçadeira, que estava em sua posse, e que foi a arma do crime, estar ilegal?
AC- Quais ilegal qual quê? Por ter os canos serrados, é? É que aquilo não foi serrado... aquilo... aquilo... aquilo caiu... foi isso, caiu! Toda a gente sabe que em Outubro já é Outono...no Outono caiem as folhas, caiem os ramos, caiem os canos das caçadeiras... é normal pá! É que isso é só má vontade! E não tenho que convencer o shotôr Juiz... é que eu estou a dizer verdade! Foi um acidente e não foi nada “prestigiado”!
FNM- “Premeditado”... “premeditado”...
AC-... Olhe, você sabe que eu ainda tenho a caçadeira, não sabe?...
FNM- … Ah...pois bem, então até um dia destes que eu tenho que ir só...
AC- Então mas onde é que você vai homem de Deus?
FNM- … é que me lembrei que deixei as luzes da garagem acesas... isto depois é uma conta... ui ui!...
AC- Oh homem, não corra que eu ainda não acabei a entrevista! Venha cá!
FNM- … pois... fica para a próxima.. é que tenho que ir dar de comida ao meu borrego e....
