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sexta-feira, 4 de junho de 2010

Calippo de Morango

Estive, há pouco, a ver, no site da Sábado, os vídeos de Nuno Rogeiro, seguidamente dei uma passada pelo Abrupto, do Pacheco Pereira, posto isto, vou falar hoje de um tema um pouco polémico: o Calippo de Morango.

Antes de mais, vou fazer um ponto prévio (reminiscências da passagem pelo Abrupto): não sou guloso. No entanto, gosto bastante de gelados. De entre todos os gelados, tenho especial apreço pelo Calippo de Morango.

Acontece que, ou por terrível perfídia, ou por retorcido sentido de humor do seu criador, o Calippo de Morango é aterrorizante para qualquer homem. O Calippo de Morango, caso não tenham reparado, assemelha-se muito na forma e, em certa medida, na côr, a uma parte da anatomia masculina que, normalmente, está reservada apenas para uso feminino. Mas isto, por si só, não constitui o busílis do questão. É que, não contente somente com a gag da forma e da côr, o criador do gelado lembrou-se que, giro giro, era embrulha-lo de tal maneira que, para o degustar, uma pessoa teria de levar a cabo meia dúzia de malabarismos labiais, normalmente semelhantes a um certo exercício sexual, por mim muito apreciado.

Ora, isto não se faz!

É horrível ires na rua e veres um homem, casado e pai de filhos, com barriga proeminente e bigode farfalhudo a efectuar algo semelhante a um fellatio numa “glande” de gelo. E não é só horrível para ti! O próprio homem, quando nota que o olhas, parece pedir desculpa com o olhar “eu sei... eu sei... mas está tanto calor...” pensará ele.

E depois, todos os Verões é o mesmo. O calor começa a apertar, a boca começa a ficar seca, olho em volta e vejo um café, entro para pedir um gelado, o meu gelado favorito, o Calippo de Morango! Dirijo-me para o balcão, o tempo parece abrandar, o coração começa a bater descompassado, uma gota de suor escorre-me da testa, o dono do café olha para mim de soslaio, quase ouço os seus pensamentos “mais um maricas que vai pedir um Calippo de Morango! No meu tempo não havia nada disto, os homens bebiam vinho, as mulheres não vestiam calças e o Carlos Espada não escrevia crónicas!”, a música de O Bom, o Mau e o Vilão entra em cena "fiuiuiu uauaua... fiuiuiu uauauA!", um fardo de plantas secas passa ao longe, o dono do café pergunta “o que deseja?”, sinto o chão a fugir de baixo dos pés, a voz falta-me, penso na vergonha de pedir um Calippo de Morango, é então que me sai “uma Super Bock , se fizer favor!”. E pronto, lá começa mais uma tarde de copos!

Maldito sejas criador do Calippo de Morango, pois me condenas ao alcoolismo!
 
 
P.S.- Ao longo deste texto escrevi "Calippo de Morango" 8 vezes, com esta 9. Se, depois disto, a Olá não propuser patrocinio, só poderá ser por pura mesquinhez.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Irritado

Hoje acordei irritado. Tive sonhos esquisitos onde o Santana Lopes e o António Sala me convidavam para andar a cavalo e acordei com um torcicolo.

Posto isto, vou falar de coisas que me irritam.

Irrita-me o google. O google tem a mania! É arrogante! Tu escreves “ofice” e vem ele sarcasticamente: “será que quis dizer: office? “... o filho da p*t@... e depois ainda completa com “Cerca de 1.120.000 resultados (0,45 segundos)” a fazer-nos pirraça com o quão rápido e fácil é para ele pesquisar coisas... you big mother f...!

Irritam-me pessoas que se atrasam. Eu sou um gajo pontual e, como gajo pontual, sofro do drama de ninguém estar lá para aplaudir a minha pontualidade, o que me irrita! E irrita-me também o facto de estar sentado a horas, quer seja no cinema, num jogo de futebol ou num concerto e, nos primeiros 20 minutos do espectáculo, ter que levar com o escroto ou com rabo na cara do pessoal que chega atrasado e vai para o seu lugar (já agora, estamos no cinema e temos que ir à casa de banho, quando passamos pelas pessoas devemos passar de frente para elas, o que faz com que o nosso órgão sexual fique à altura das suas cabeças, o que é desconfortável para as duas pessoas, ou devemos passar de costas, mostrando-lhe o rabo, o que não me inspira muita confiança...? É, possivelmente, a maior questão do nossos tempos...).

Irritam-me os empregados de mesa e as suas piadas! Quantas mais vezes vou ter que ouvir, quando digo “Queria um café”: “Queria? Então já não quer?hehehe!”, “Um café? Fresco ou natural? Hehehe!”?

Irrita-me o Pacheco Pereira! Se ele sabe que aquilo de que se fala nunca é “a questão essencial”, pressupõe-se que ele saberá qual será “a questão essencial”. Então porque raios é que ele não a revela? E porque é que não pára de fazer pontos prévios “antes de mais nada queria fazer um ponto prévio (…) agora, antes de continuar, vou fazer um ponto prévio (…) é conveniente fazer um ponto prévio antes de avançarmos!”. Ponto prévio: O Pacheco é parvo mas a questão essencial é: porque raios ainda lhe dão tempo de antena?

Irrita-me o Vasco Pulido Valente e o seu trabalhado pessimismo. Se, para o Vasco, os pensadores morreram todos no séc. XIX, porque é que ele continua a brindar-nos com os seus textos? Não é um isto o paradoxo?

Irritam-me os perús. Porque carga d'água quando um perú se embebeda é Natal e eu quando me embebedo é uma vergonha?!

Irritam-me pessoas que dizem “auga” na vez de “água”. É que, quando uma pessoa pede um copo de água e lhe respondem “disse um copo de auga?”, para não parecer mal não corrigimos, mas quando sorvemos o líquido, já não nos sabe a água mas sim a auga e, parecendo que não, não é a mesma coisa e lá se estraga uma tarde a uma pessoa.

Irritam-me perguntas idiotas. Que resposta espera alguém que te pergunta “então, estás cá?”, ou “Tu por aqui?”, ou ainda “então já chegaste?”? Que digas que não, que és uma alucinação? Um holograma? O efeito colateral do medicamento para a tosse?

Irrita-me o facto do youtube ter milhões de videos e não conseguir encontrar a reportagem do “Corvo Mantorras”! Discriminação racial ou animal? Ou ambas?

Irritam-me pessoas que, a meio de uma conversa, dizem "sabes como é, é que eu sou Sagitário...". como se, a partir dali eu soubesse o que raios ele/a quer dizer! O que é que quer dizer ser Sagitário, ou Caranguejo ou Escorpião? O Sagitário prefere boxers? O Escorpião não gosta de marmelada? O quê? 

Irrita-me conversa de encher chouriço. Se as pessoas não têm nada para dizer, porque não ficam caladas em vez de “-pois é... pois é... são vidas... está frescote não é? -Pois está... pois está... e então, como vão as coisas? - Vai-se andando, vai-se andando... uns dias melhor outros pior...”?! Isto não é conversa! E já agora, as coisas não andam... pessoas andam, animais andam, carros... talvez andem se ainda se conseguir comprar gasolina sem ter que vender a casa, mas coisas não andam. Ok?

Irrita-me este texto, por isso vou parar por aqui!



P.S.- o texto de hoje foi um pouco diferente do habitual e não vai voltar a acontecer. Peço desculpa.